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Roberto Pessoa e o oportunismo do centrão


Em entrevista concedida ao jornal O Povo no dia 07/03/2025, Roberto Pessoa afirmou que o seu partido, o União Brasil, não tem definição de quem deve apoiar nas eleições de 2026. Ele considera que a queda na aprovação de Lula pode afetar o desempenho do governador Elmano de Freitas (PT):


“Se o Lula começar a derreter como está derretendo, o Elmano está morto. Tem que ver o que é o melhor para o partido na hora, tem que esperar. Como vai ser, por exemplo, se o Lula começar a derreter como está derretendo? O Elmano está morto. E tu sabes que todo mundo é oportunista. Os partidos são oportunistas. Quer apoiar quem pensa que vai ganhar. É buscar apoio, depois, se perder, vai para o governo. É assim, ninguém quer ir para oposição. Todo partido tem seus interesses, aliás eu brinco muito que os partidos de hoje tudo é União Brasil S.A, PT multinacional… Tudo é dinheiro, essas emendas parlamentares, os partidos só pensam em dinheiro. Cada partido quer aumentar o número de deputados para ter mais fundo partidário. Por isso que eu chamo os partidos tudo de S.A: só pensa em dinheiro e o povo fica de lado. E eu respeito isso”.

A fala de Roberto Pessoa é coerente com ele mesmo e com sua trajetória de político pragmático e fisiológico. Um oportunista.

No Brasil, a grande maioria dos partidos políticos simulam a hipocrisia da representação e da luta pelo bem-estar da nação. Um espetáculo de demagogia que ano após ano mantém as desigualdades sociais e a miséria do nosso povo. Não é à toa que vivemos uma crise da representação e dos partidos políticos. O discurso antissistema se capilarizou na sociedade.

Partidos ditos de centro, como o União Brasil, não têm ideologia, aliás, a ideologia deles é a ideologia da classe dominante. Quem manda é o dinheiro. Transitam entre todos espectros políticos em busca de satisfazer seus próprios interesses. Não por acaso, Roberto Pessoa, em uma entrevista não tão distante, utilizou uma famosa frase do ex-ministro Delfim Netto: “esquerda e direita são sinais de trânsito”.

O centrão, como é chamado, é a mais fiel prostituta política do poder e dos interesses econômicos das elites brasileiras. São partidos da ordem, que sustentam e fazem a manutenção desse sistema político apodrecido.

Sem nenhum constrangimento, a entrevista de Roberto Pessoa ao "O Povo" expõs as entranhas da politicagem do "toma lá, dá cá", dos acordões e do jogo do poder pelo poder, sem o menor compromisso com o nosso povo.

Ah, quanto aos petistas ingênuos que apoiaram Roberto Pessoa nas últimas eleições e esperam seu apoio a Lula e Elmano nos próximos processos eleitorais, é possível que levem um belo pé na bunda!

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