RESOLUÇÃO DE DESFILIAÇÃO DO PSOL MARACANAÚ – 001/2024
Hoje, 26/03/2024, os membros da Frente Revolucionária Maracanauense - FRM deixam as filas do Partido Socialismo e Liberdade - PSOL. A luta política requer estratégia e tática afinadas com um horizonte de mudanças estruturais em favor do nosso povo. A hegemonia no PSOL é do liberalismo de esquerda e não existe qualquer indicação que possa mudar no curto ou médio prazo. É fatura liquidada! Os revolucionários e revolucionárias estão convocados à criar uma nova práxis política destinadas a superar o beco sem saída da esquerda liberal em Maracanaú.
O início do governo Lula/Alencar em janeiro de 2002 e o nascimento do PSOL em 6 de junho de 2004 são acontecimentos que pertencem ao início da última grande crise da esquerda brasileira. Após 14 anos de governo, não há dúvida nem mesmo para os mais devotos defensores da consciência ingênua que o PT fracassou historicamente na vã tentativa de dar cidadania ao nosso povo no interior da ordem burguesa; ademais, tampouco logrou avançar uma molécula na luta pela soberania de um país em que estado, economia e cultura estão organizados pela dependência e marcados pelo subdesenvolvimento.
A aliança Lula/Alencar e depois Dilma/Temer expressam a hegemonia liberal-burguesa dos sucessivos governos petistas contra a qual o PSOL nasceu a partir da recusa de alguns parlamentares petistas em aprovar a retirada de direitos previdenciários dos trabalhadores realizada por Lula em favor da coesão burguesa sob liderança da fração financeira. Entretanto, nascido da costela do petismo, a “revolta” parlamentar jamais logrou a superação da práxis petista. Ao contrário, com o crescimento eleitoral do PSOL, ficou claro que o partido guardava todos os vícios do petismo sem suas virtudes originárias: o valioso vínculo com a classe trabalhadora que o PT exibia em seus primeiros anos de existência.
O PT foi, portanto, gradual e decididamente, se transformando numa máquina eleitoral de relativa eficácia a favor do regime liberal burguês e de suas frações democráticas. No plano internacional, expressou desde sempre uma aliança com o Partido Democrata dos Estados Unidos, com a socialdemocracia europeia e com o Vaticano. O PSOL também evoluiu na direção da hegemonia do liberalismo de esquerda. Na sua relativamente longa trajetória, o PSOL jamais abandonou a condição de espírito crítico das insuficiências eleitorais e programáticas do PT, no entanto, jamais avançou para sua plena superação.
A destituição da presidente Dilma em agosto de 2016 revelou a adesão mais explícita do PSOL as insuficiências crônicas do PT e seus governos. Na prática, foi uma destituição sem luta pois a ofensiva burguesa somente poderia ser derrotada com a mobilização do povo que o compromisso de Lula e Dilma com a classe dominante sempre evitou assim como a água não se mistura com o azeite. O PSOL lutou na defesa do mandato da ex-presidente sem lograr diferenciação política com o liberalismo de esquerda encabeçado pelo PT. Na disputa eleitoral de 2018 lançou um candidato completamente submetido à Lula que amargou o maior fracasso eleitoral da história do partido numa disputa presidencial. Na eleição de 2022, simplesmente recusou a possibilidade de candidatura própria e aderiu a chapa petucana Lula/Alckmin já no primeiro turno da eleição presidencial. Não era apenas uma derrota, era uma rendição completa ao petismo. Após a eleição do protofascista Bolsonaro, a adesão do PSOL ao PT concluiu de maneira definitiva a sua pobreza programática. Além é claro de jamais avançar uma molécula na direção da luta socialista e da Revolução Brasileira. Hoje, não há a menor dúvida, de que o PSOL é um partido satélite do PT, orientado exclusivamente pela disputa de mandatos e governos estaduais e municipais. A adesão ao governo, com a indicação de ministros e também de funcionários para o segundo escalão de ministérios, da mesma forma que a decisão de compor a base parlamentar do governo petucano, revela a mais completa derrota política. Nesse contexto, tampouco há dúvida que o PSOL chafurdará cada vez mais sem inibição no lamaçal da república burguesa em profunda crise.
Nesse contexto, o PSOL declara-se cativo da impotência petista diante da classe dominante e apenas pretende ocupar espaços eleitorais até então monopolizados pelo petismo. A crise brasileira, entretanto, se aprofunda sem a alternativa de uma solução de natureza popular. No governo – apoiado pelo PSOL – Lula e Alckmin não expressam apenas impotência política e ideológica diante da ofensiva burguesa, mas a mais completa cumplicidade com a economia política do rentismo, essência da república burguesa em crise. O governo pretende tão somente a administração democrática da ordem burguesa que condena a absoluta maioria de nosso povo a miséria e a exploração incapazes de sequer ser mitigada pela digestão moral da pobreza praticada pelos chamados programas sociais.
A permanência da FRM no PSOL equivaleria, nessas circunstâncias, a cumplicidade com a esquerda liberal contra a qual lutamos cada dia em que estivemos no partido. A guerra de classes que a burguesia trava contra nosso povo não admite ambiguidades e, de nossa parte, não permite qualquer dose de cumplicidade com um governo que não é somente de conciliação de classe, mas, ao contrário, de completa adesão e representação dos interesses burgueses. Aqui, portanto, oficializamos nossa desfiliação do PSOL. O caminho da revolução brasileira – não resta dúvida! – é acidentado e difícil, mas jamais poderá ser trilhado com a cumplicidade e as ilusões do liberalismo de esquerda com a classe dominante e a república burguesa em profunda crise. É provável que a ofensiva burguesa contra os trabalhadores colocará a esquerda liberal diante de escolhas que o oportunismo político não poderá ocultar por meio das enfadonhas e impotentes manobras eleitorais e apelos morais.
Nós, membros da Frente Revolucionária Maracanauense - FRM, não conviveremos com as ilusões liberais e os erros e menos ainda com apologia às ilusões e aos erros.
Viva Maracanaú
Viva o Povo de Maracanaú
Viva a Classe trabalhadora

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