Hoje, dia 06.10.2024, a FRM inicia um novo quadro de conteúdos. Trata-se de textos com informações históricas. Nessa primeira matéria trazemos o relato de Lira Neto sobre a colonização cultural de Fortaleza pelos norte-americanos, no contexto da segunda guerra mundial. Boa leitura.
Após Getúlio Vargas declarar guerra ao Eixo e tendo os Nazistas dominado o Norte da África, "temia-se que Hitler iniciasse uma possível invasão ao continente americano pelo Nordeste brasileiro, devido a relativa aproximadamente entre os dois pontos geográficos."
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"Com o desembarque maciço de soldados norte-americanos em Fortaleza, a influência de um novo estilo de vida determinou uma revolução nos usos e costumes locais. Os jovens fortalezenses não só adotaram as maneiras de vestir, aparar os bigodes e pentear os cabelos copiadas dos astros e estrelas de cinema, mas também incorporaram novos hábitos de consumo introduzidos pelos forasteiros.
Passaram a beber Coca-Cola em vez do Pega-pinto do Mundico, a preferir os sundaes de ameixa da sorveteria Odeon ao pastel de carne da Leão do Sul, a fumar cigarros importados Camel, Pall Mall e Lucky Strike em substituição aos mata-ratos da marca Astória. Trocaram ainda os paletós brancos de algodão por camisas estampadas de nylon, abandonaram os antigos bicos-de-pena pelas canetas Parker 51, abdicaram do quebra-queixo e do alfinim em nome da goma de mascar.
No bojo da Política da Boa Vizinhança - estratégia utilizada pelos Estados Unidos para sedimentar o pan-americanismo e propagar o american way of life - filmes, músicas, livros e revistas made in USA começaram a circular massivamente no Brasil. Chique agora era comprar os discos de Glenn Miller, arriscar-se a dançar o swing e o boogie-woogie, ler a versão brasileira das Seleções do Reader's Digest, ouvir o hit parade retransmitido pelas ondas curtas. E, sobretudo, falar inglês, em vez de francês, como fora de bom tom até pouco tempo antes."
Edson Queiroz, uma biografia. Lira Neto. Bela Editora. São Paulo. 2022. Página 60, 65 e 66.

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