Compra de votos, essa foi a tônica que orientou grande parte do processo eleitoral em Maracanaú. Os relatos de comércio do sufrágio vêm de todas as regiões. Da Mucunã à Pajuçara, do Alto Alegre ao Santo Antônio do Pitaguary. Candidatos e suas lideranças percorreram bairros comprando eleitores a 100, 200, 300...reais. Há denúncias públicas, entre os próprios candidatos da base da Oligarquia Roberto Pessoa, reclamando do próprio veneno.
Mas não nos interessa o debate meramente moral da compra de votos, ou seja, acusar aquele que comprou, repreender aquele que vendeu. Claro que do ponto de vista ético, entendemos ser reprovável ambas as condutas, mas não é essa a questão que queremos tratar. O comércio dos votos é reflexo de algo maior, e é sobre isso que queremos falar.
Temos que ter uma compreensão do quadro geral. Entender a estrutura que financia o jogo eleitoral e como essa máquina submete nosso povo a um processo cujo resultado é incapaz de produzir verdadeiros representantes do povo.
De maneira geral, os grandes financiadores de campanhas em Maracanaú são: uma pequena burguesia comercial, empresários, políticos milionários (que enriqueceram a base da corrupção) e empresas prestadoras de serviços públicos que de alguma maneira guardam ligação com a política. Jogo de cartas marcadas.
São esses setores da elite local que alimentam um processo eleitoral completamente conduzido pelo poder financeiro, o tal do abuso do poder econômico. É claro que há também o uso da máquina pública para garantia de votos. Algumas associações, institutos e outras instituições entram no jogo.
Essas elites investe milhões de reais em algumas campanhas na esperança de serem bem remuneradas quando seus financiados alçarem ao poder. Após se apropriarem da máquina, espoliam os cofres públicos num verdadeiro assalto ao erário, acumulam capital e concentram renda. Enquanto isso nosso povo padece.
Os efeitos dessa mecânica no campo social são inúmeros e recaem principalmente na precariedade dos serviços públicos à população.

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