No livro de Ivaldo Silva, Síntese da História de Maracanaú - 1992, é possível encontrar um relato trágico da nossa história. Nele, Ivaldo descreve uma Cafua onde o povo negro era preso e castigado.
Confira o relato abaixo:
"Na Cafua* de Santo Antônio, construída no fim do século XVII por Manoel Cândido, os escravos depois de serem surrados e sem água e pão, permaneciam por vários dias. No caso de reincidência era uma surra por dia, com braços e pernas manietados.
A tentativa de fuga, o desrespeito ao seu senhor, ou aos seus familiares e a falta de produção no trabalho o escravo ia parar na cafua.
Quando saía dela estava esquálido, cadavérico, pés e mãos cortados pelas grossas correntes e, mesmo assim, era obrigado a trabalhar mais do que outros para recuperar o tempo perdido.
A Cafua de Santo Antônio é testemunha objetiva do sofrimento dos escravos no século XVII e parte do século XVIII em Maracanaú.
Muitos ali morreram por não terem suportado os martírios a que eram submetidos por Manuel Cândido - senhor deles.
Contam os antigos que por muito tempo era comum se ouvir nas imediações da Cafua, nas noites de sexta-feira, choros, gritos e rangidos. Eram Almas de escravos!"
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As ruínas da Cafua de Santo Antônio do Pitaguary ainda existem e são a prova de um passado triste, mas que não pode ser esquecido.
*Cafua: construção cujo interior era escuro, utilizada para aprisionar e castigar o povo negro. Cafua vem de um dialeto africano mais precisamente dos povos Bantos tendo como tradução caverna ou lugar escuro.
Fonte: SILVA, Ivaldo. Síntese da história de Maracanaú. Prefeitura Municipal de Maracanaú. Maracanaú, 1992. Pg. 61

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