Durante a ditadura militar, Valter Pinheiro, ex-militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), foi encapuzado e levado para um local ermo fora de Fortaleza, onde havia sido capturado. Lá, teve que se despir, foi amarrado e teve eletrodos conectados aos lóbulos das orelhas, pênis, mamilos e ponta da língua. Passou por três sessões de tortura. “Estrebuchava, gritava, e eles ficavam rindo, contando piada e diziam: “Olha, isso é grito de prazer”, contou ele.
Os horrores pelos quais passou Pinheiro aconteceram em um local na época secreto. Em uma das 11 casas listadas pela Comissão Nacional da Verdade como centros de tortura clandestinos, espalhados por diversos Estados do país. A dele ficava em Maranguape, a 27 quilômetros da capital cearense, e era conhecida como a “Casa dos Horrores”.
“O piso do andar superior era de madeira e lá me conduziram para um quarto. Tiraram toda a minha roupa. Colocaram fios no dedo do pé e nos testículos. Me colocaram sobre duas latas e fiquei me equilibrando. Iniciaram mais ou menos às seis horas da manhã e me torturaram até o início da noite”, contou Benedito Bizerril, outro ex-preso político, levado para a casa em fevereiro de 1973.
Esses centros clandestinos operaram por aproximadamente uma década, desde o início do golpe de 1964, com a aprovação e conhecimento dos comandantes das Forças Armadas. Eram montados em imóveis disponibilizados por particulares com o objetivo de torturar e executar militantes de esquerda sem que os comandantes fossem identificados. Neles, era mais fácil eliminar as pistas que levassem aos presos políticos.
A Casa dos Horrores ficava situada em um local próximo a Itapebussu, distrito de Maranguape. No local, as sessões de tortura eram ininterruptas, 24 horas por dia. Após as sessões, os torturados eram levados para uma sala comum, que parecia abrigo para animais. Muitos deles chegavam se urinando ou colocando a bílis para fora, em consequência da brutalidade recebida.
Vicente Teixeira, que também passou pela temida casa, relata que foi conduzido encapuzado para o local, acompanhado de seu pai, Antônio dos Santos Teixeira, militar reformado e professor. Na época, em 1973, ele tinha apenas 16 anos, e admitiu que só não apanhou mais porque foi considerado menor pelos torturadores. Mesmo assim, revelou que ficou com traumas psicológicos, por ter visto seu pai ser torturado e ouvido gritos de desespero de outros presos.
Vicente conta ainda que passou menos de 48 horas na Casa dos Horrores, por intervenção de parentes e amigos influentes. Apesar de não ter sido torturado, sofreu sevícias apenas por ser filho de pai declaradamente comunista. Seu pai, Antônio Teixeira, converteu-se ao comunismo quando foi preso em 1935, ao lado de outros comunistas. Até então, ele não se julgava como tal, e mesmo assim foi delatado como pertencente a órgãos comunistas, o que não era verdade, afirmou.
Fontes:
https://www.al.ce.gov.br/noticias/torturas-e-casa-dos-horrores-sao-reveladas-no-projeto-memoria-oral
https://brasil.elpais.com/brasil/2014/12/10/politica/1418209313_141438.html

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