Durante oito anos, famílias do território indígena Pitaguary, em Maracanaú, foram exploradas em uma relação de trabalho que causou inúmeros prejuízos trabalhistas, além de uma das maiores poluições ambientais já registradas naquela região.
Segundo os indígenas, a empresa Delfa, ao terceirizar uma de suas atividades, tornou-se co-partícipe da exploração das famílias e da contaminação do território. A atividade, conhecida como “puxa-puxa”, consistia em separar tecidos de esponjas e bojos. Após a separação, as famílias vendiam as espumas e os bojos diretamente à empresa Delfa ou a um atravessador que se apresentava como representante da empresa.
A atividade produziu descartes irregulares e queimas, liberando substâncias tóxicas no solo e no ar. Isso gerou problemas respiratórios, alergias e intoxicações em pessoas da região.
Muitas famílias abandonaram o trabalho devido ao pó fino liberado no ar durante a separação dos materiais O Instituto Asas e Raízes denunciou a exploração do povo Pitaguary e a poluição do território, iniciando ações na Justiça do Trabalho e na Justiça Cível para reparar os danos. O caso está sendo assistido pela Funai e pelo Ministério Público.
Atualmente, o instituto resiste na luta por uma “Ecofaxina” — iniciativa para mitigar os impactos ambientais da atividade irregular, que surgiu como promessa de renda e emprego. No entanto, o processo avança lentamente: a Prefeitura de Maracanaú, por meio da Seinfra, não colaborou com apoio logístico, mesmo sendo informada do problema.
Além disso, a coleta seletiva de resíduos sólidos no território é deficiente ou inexistente em algumas áreas.
A inércia do grupo político e econômico que controla a cidade comprova sua cumplicidade com a exploração do nosso povo e da natureza do nosso município.

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