Pular para o conteúdo principal

Exploração de famílias e poluição: o drama do território Pitaguary

Durante oito anos, famílias do território indígena Pitaguary, em Maracanaú, foram exploradas em uma relação de trabalho que causou inúmeros prejuízos trabalhistas, além de uma das maiores poluições ambientais já registradas naquela região. 

Segundo os indígenas, a empresa Delfa, ao terceirizar uma de suas atividades, tornou-se co-partícipe da exploração das famílias e da contaminação do território. A atividade, conhecida como “puxa-puxa”, consistia em separar tecidos de esponjas e bojos. Após a separação, as famílias vendiam as espumas e os bojos diretamente à empresa Delfa ou a um atravessador que se apresentava como representante da empresa. 

A atividade produziu descartes irregulares e queimas, liberando substâncias tóxicas no solo e no ar. Isso gerou problemas respiratórios, alergias e intoxicações em pessoas da região. 

Muitas famílias abandonaram o trabalho devido ao pó fino liberado no ar durante a separação dos materiais O Instituto Asas e Raízes denunciou a exploração do povo Pitaguary e a poluição do território, iniciando ações na Justiça do Trabalho e na Justiça Cível para reparar os danos. O caso está sendo assistido pela Funai e pelo Ministério Público.

Atualmente, o instituto resiste na luta por uma “Ecofaxina” — iniciativa para mitigar os impactos ambientais da atividade irregular, que surgiu como promessa de renda e emprego. No entanto, o processo avança lentamente: a Prefeitura de Maracanaú, por meio da Seinfra, não colaborou com apoio logístico, mesmo sendo informada do problema. 

Além disso, a coleta seletiva de resíduos sólidos no território é deficiente ou inexistente em algumas áreas. 

A inércia do grupo político e econômico que controla a cidade comprova sua cumplicidade com a exploração do nosso povo e da natureza do nosso município.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Roberto Pessoa e o oportunismo do centrão

Em entrevista concedida ao jornal O Povo no dia 07/03/2025, Roberto Pessoa afirmou que o seu partido, o União Brasil, não tem definição de quem deve apoiar nas eleições de 2026. Ele considera que a queda na aprovação de Lula pode afetar o desempenho do governador Elmano de Freitas (PT): “Se o Lula começar a derreter como está derretendo, o Elmano está morto. Tem que ver o que é o melhor para o partido na hora, tem que esperar. Como vai ser, por exemplo, se o Lula começar a derreter como está derretendo? O Elmano está morto. E tu sabes que todo mundo é oportunista. Os partidos são oportunistas. Quer apoiar quem pensa que vai ganhar. É buscar apoio, depois, se perder, vai para o governo. É assim, ninguém quer ir para oposição. Todo partido tem seus interesses, aliás eu brinco muito que os partidos de hoje tudo é União Brasil S.A, PT multinacional… Tudo é dinheiro, essas emendas parlamentares, os partidos só pensam em dinheiro. Cada partido quer aumentar o número de deputados para ter mai...

MEMÓRIAS QUE RESISTEM: A COMUNIDADE DO CALDEIRÃO DE SANTA CRUZ DO DESERTO

MEMÓRIAS QUE RESISTEM: A COMUNIDADE DO CALDEIRÃO DE SANTA CRUZ DO DESERTO João Emanoel Lima de Oliveira Professor de História – Mestrando da Universidade Federal do Ceará Divulgador da História do Nordeste - Instagram / Tiktok: @profjoaoemanoel_historia Maria Lourêto de Lima é neta do paraibano Severino Tavares, um agricultor e mascate paraibano que viveu entre o final do século XIX e início do século XX. Severino Tavares era também um indignado diante das precárias condições sociais e econômicas de seus irmãos sertanejos. Os brutais desmandos dos grandes proprietários de terras sobre os desapropriados do sertão (jornaleiros, agregados, meeiros etc) e sobre pequenos proprietários fez Severino desentender-se com lideranças políticas de Campina Grande no ano de 1923. Chegou a ser preso por isso. Tendo ouvido falar do “Padim Ciço” e de sua Juazeiro que acolhia os tementes a Deus de forma equânime, decidiu ali se estabelecer após sua soltura no ano de 1924.  Severino Tavares era espos...

José Dirceu e o modo petista de iludir

A decisão do ministro Gilmar Mendes proferida em 29 de outubro passado anulou os processos contra José Dirceu, condenou uma vez mais a indiscutível parcialidade da Lava Jato e abriu inesperadamente uma disputa no interior do Partido dos Trabalhadores. O governo é de centro direita tal como o próprio Zé Dirceu afirmou há poucos meses (agora, tão disciplinado quanto cauteloso, afirma que é de centro-esquerda com   base parlamentar   de centro-direita!). Zé Dirceu é esperto na formulação e na arte de iludir o petismo e o progressismo em geral pois sabe a partitura que essas filas gostam! É claro que a decisão do ministro Gilmar Mendes não era uma novidade para os mais atentos e menos ainda para o ex-ministro da casa civil do primeiro governo de Lula. Hábil nos bastidores, Zé Dirceu sabe que Gilmar Mendes é mais do que um aliado na defesa da "ordem democrática". Não é preciso nem mesmo um simples jantar entre os dois personagens para selar uma aliança estratégica contra a "a...