Em Maracanaú, a coerência é um artigo de luxo — mais caro que qualquer cargo comissionado.
Basta a perda de um cargo para surgir uma súbita “consciência política”. Especialistas em babação descobrem, da noite para o dia, que a cidade possui inúmeros problemas sociais. É vídeo pra todo lado, postagem indignada, vídeos cheios de “agora eu posso falar”. Um verdadeiro surto de lucidez tardia.
Já vimos esse filme várias vezes — e o roteiro nunca muda: mais cedo ou mais tarde, o telefone toca. Do outro lado da linha, não é exatamente a razão que chama, mas algo bem mais persuasivo: um cargo novo, com nome pomposo, salário reajustado e, de brinde, um ar-condicionado funcionando perfeitamente.
E então, como num passe de mágica, a indignação evapora. O caos vira “desafios da gestão”, a crítica vira “opinião mal interpretada” e o antigo prefeito — aquele mesmo — reaparece como um líder visionário injustiçado pelas circunstâncias. Os mesmos que denunciavam, agora passam a defender o prefeito com uma fidelidade canina. Não por interesse, claro. É apenas uma coincidência extraordinária que a consciência política deles seja orientada por um contracheque.
No fim das contas, a "oposição" na cidade não é um posicionamento — é só um intervalo entre nomeações.

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